quinta-feira, 28 de maio de 2015

Roteiro Reflexivo da Prática Etnográfica – 2

Dia 02: Apresente suas reflexões sobre o processo de entrevistas e narrativas dos sujeitos, principalmente, sobre a noção de pertencimento sobre a "pracialidade" nos espaços percorridos por você, seja nos diferentes logradouros, seja na praça. Que conceitos estudados vocês destacariam para este relato reflexivo? Ao conversar com as pessoas que trabalham na praça ou por ela transitam, notei que alguns passam por ela todos os dias, as vezes até mais de uma vez e nunca notou seus canteiros, a forma de organizar o plantio deles, as flores neles plantadas, os bustos ali expostos e porque estão lá, o movimento das outras pessoas, o que elas fazem na praça, e até mesmo se a igreja fica com as portas abertas durante o dia, como se por ali passasse mas aquele lugar não fizesse parte de sua vida, não lhe pertencesse. Fiquei preocupada com essa atitude e me pus a procurar entender o porquê das pessoas não prestarem a atenção na beleza da praça. Ai então comecei a perceber nos diversos dias que frequentei a praça que a mesma fica muitas vezes no mês cheia de toldos para abrigar alguns eventos sociais, e com bastante propagandas, ai então comecei a entender que devido a essa “poluição visual”, as pessoas que por ali transitam ou até mesmo frequentam não observam com atenção a praça. E até mesmo a feirinha do domingo atrapalha a visão da praça, que fica cheia de fios atravessando seus caminhos e canteiros, mesas e cadeiras na calçada e muita gente que usa o espaço como se fosse um espaço de comércio. Ao me deparar com essas divagações me lembrei desse parágrafo do texto: Arte e Espaço Público de Lilian Amaral: A informação e a comunicação que caracterizam a cidade contemporâ¬nea parece emergir de uma lógica própria, aliada que está à sociedade de consumo. Tudo está para ser visto e consumido. Nessa medida, quando os artistas aproximam a arte da cidade, muitas vezes, suas obras são interpre¬tadas dentro do universo da propaganda (AMARAL, 2011, p.12). Dessa forma as pessoas estão tão imersas na vida cotidiana tão corrida e permeada pelas propagandas e sede de consumo que nem param para observar as coisas em sua essência, em sua beleza, e tudo torna tão banal e sem valor, não possuem o sentimento de pertencimento aquele lugar, o sentimento de tornar o lugar seu, de apropriar dele, de fazer dele parte de sua vida. Outra coisa também que me chamou a atenção foi as diferentes visualidades do mesmo espaço/lugar, cada pessoas vê o espaço com uma forma diferente, como se cada uma falasse de um espaço que não fosse essa praça, um espaço/lugar da memória, um lugar invisível para muitos e presentes para cada um deles. Também de acordo com um trecho do texto da Lilian Amaral: Em cada lugar, processam-se conexões entre lugares próximos ou distantes, vizinhos ou longínquos, em cada lugar confrontam-se diversidades, diferen¬ça e identidades. A percepção do lugar não depende da forma na cidade, mas do olhar do leitor capaz de superar o hábito e perceber as diferenças (AMARAL, 2011 p.20). De acordo com esse pensamento cada um cria seu lugar de sua maneira, de acordo com suas lembranças, seus valores, sua forma de ver cada coisa. Depois dessas reflexões, para mim os conceitos que ficou mais marcantes foram os conceitos de pertencimento e visualidades, pois acredito que tornamos pertencentes a algum lugar e nos apropriamos deles de acordo com nossa visão desse lugar, nossas memórias, nossos valores e crenças e transformamos esse lugar nosso. Referencias AMARAL, Lilian: Ateliê de Poéticas Urbanas – Coleção Tramas & Urdumes, Módulo 8 - Universidade Federal de Goiás. Faculdade de Artes Visuais; Centro Integrado de Aprendizagem em Rede (Ciar). - Goiânia: UFG/CIAR, 2011.

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